quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

BRÁS CUBAS: A DOR DA MORTE SOLITÁRIA

BRÁS CUBAS: A DOR DA MORTE SOLITÁRIA

Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis.

 Acreúna-GO, 2023.

 

Já no seu descanso eterno, Brás Cubas narra a sua história a realizar uma análise da sua vida de trás para frente. Tendo como principal cenário o Segundo Império no Brasil, Brás Cubas dedica a sua trajetória tentando ser bem-sucedido, mesmo que para isso tenha que usar de artifícios não necessariamente éticos. O protagonista sempre articula para sobressair aos outros, sendo eles próximos ou não, deixando-se engajar principalmente com a política.

Tendo todo esse enredo de ganância à vista, a trama desenrola-se com Brás Cubas sempre querendo adquirir mais poder e influência sobre os outros. Existem muitos fatores para tentar explicar as atitudes de Cubas, um deles são seus próprios familiares, que deixavam ele, ainda criança, fazer o que bem entendia, inclusive algazarra com os serviçais.

Direcionando-nos ao pai de Brás, Bento Cubas, vamos perceber algumas ações que colaborarão para as atitudes negativas do filho. Bento cuidava muito bem do filho, o patriarca tinha inclusive orgulho do menino, o problema é que a criança abusava dos escravos e da boa vontade das outras pessoas, futuramente se tornando um adulto mimado. Todos esses fatores fizeram com que Brás Cubas tivesse atitudes egoístas ao longo da sua vida. Tendo por fim, uma morte solitária, sem esposa ou filhos, sem ninguém para rememorar os seus feitos.

Com essa escrita realista de Machado de Assis podemos fazer a seguinte reflexão, uma má orientação na criação dos filhos pode torná-los pessoas egoístas e sem amor ao próximo, sobrando somente o interesse por si mesmo. Esse sujeito, na vida adulta, não conseguirá amadurecer a sua consciência, por isso sofrerá as consequências. A primeira, é não saber lidar com as frustrações da vida, descontando essas decepções nos outros. O outro problema, será sua solidão acometida por ser uma pessoa ríspida e gananciosa. Ser como Cubas, é arriscar a viver e a morrer num limbo, sem ninguém para compartilhar as dores ou sentimentos, sem ninguém para lembrar as suas memórias que logo serão apagadas no esquecimento do falecimento. 


 

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