BREVE COMENTÁRIO: VIAGENS DE GULLIVER DE JONATHA SUWIFT.
Gulliver é um personagem que por algum motivo, possivelmente místico ou divino, acaba se perdendo em “terras” antes desconhecidas pela humanidade. Uma das primeiras façanhas do herói foi de conhecer a ilha de Lilliput, onde conhece pessoas minúsculas, não maiores do que quinze centímetros de altura. Gulliver que faz amizade em um dos reinos, propõe-se a ajudar essas pessoas pequenas nos seus afazeres quotidianos. Também ajudar os pequenos na sua guerra contra outro reino inimigo, inteligentemente, evitando ferir os moradores de toda a ilha e ajudando na conciliação dos reinos.
O viajante, acusado de traição, foge do julgamento e ao chegar as margens da ilha é resgatado por um navio.
Gulliver em Lilliput.
Em outra viagem, Gulliver, também ocasionado por uma tragédia, se vê presente em uma terra de gigantes chamada Broldingag. Dessa vez o personagem encontra-se em meio a pessoas de estaturas descomunais, podendo atingir a média de vinte e dois metros de altura. Nessa nova aventura, Gulliver não tem muito o que fazer, a não ser ficar à mercê dos gigantes, dos quais o sustentam e se divertem com o protagonista.
Certo dia Gulliver, numa viagem a praia, numa caixa de fósforo, é raptado por uma águia que deixa a caixa cair no mar. Em seguida é resgatado por um navio.
Gulliver em Broldingag. Thomas M. Balliet
Novamente, acometido de uma nova tragédia, dessa vez, atacado por piratas, fazendo com que o nosso herói fique perdido em alto-mar. Gulliver é resgatado por uma ilha flutuante chamada Laputa, nela existem mais três países estranhos: Balnibarbi, Luggnagg, Glubbdubdrib. Nessa ilha voadora, Gulliver passa por aventuras místicas e experiencias científicas não muito objetivas. Dentre esses países a melhor história se passa na ilha de Balnibardi, mostrando uma sociedade engajada em descobrimentos científicos, o problema é que esses descobrimentos não são tão práticos e eficazes naquilo que poderia beneficiar uma sociedade.
Chegando ao Japão, Gulliver consegue uma autorização do imperador para voltar para casa.
A ilha de Laputa encontra Gulliver. Gérard Grandville
Passando algum tempo, depois de Gulliver se livrar dos traumas das últimas viagens, volta às naus. Dentro da embarcação, veio advir um motim, o herói é abandonado num pedaço de terra. Nesse lugar, encontra formas humanas peludas, os Yahoos, que vivam de maneira animalesca, situação essa que causa asco a Gulliver. Por outro lado, na mesma terra, encontra-se criaturas em forma de cavalos, conhecidas como Houyhnhnms, que vivem de tal forma racional, ética e civil, superior em comparação à própria vida humana, fato este que deixa o aventureiro envergonhado da sua própria criação e civilização. Ora, o viajante presenciou a existência de uma espécie não-humana, cuja a ética deixa envergonhado o mais nobre dos homens, esses eram os Houyhnhnms.
Como a sociedade do Houyhnhnms considerou Gulliver uma ser perigoso, que poderia corromper os indivíduos, decidiram expulsá-lo dessa ilha.
A sociedade dos Houyhnhnms, com sua ética, afetou o aventureiro de tal maneira que este tinha dificuldade de se comunicar com as pessoas próximas, inclusive com a própria família.
Gulliver com os Houyhnhnms. Autor desconhecido.
Finalmente, outra lição que podemos tirar do livro As Viagens de Gulliver é que este é um manual de antropologia. Assim, nosso viajante, muito estudado e dedicando, é um observador curioso das sociedades, mesmo que estranhas, nas suas aventuras. Inclusive colocando-se de forma humilde e dedicando, até quando poderia exercer poder; um exemplo desse fato, seria quando visitou Lilliput e deparou-se com os pequenos homens dessa ilha. Gulliver, escreve a fazer descrições minuciosas dos cidadãos e das suas Constituições, sem afetá-los, descrevendo aquilo que concorda ou não de cada situação presenciada. Interessado, o aventureiro está sempre engajado a descobrir novas possibilidades e os descreve bem, assim como deve ser aqueles que querem analisar e relatar uma determinada situação social de forma mais científica, antropológica.
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