quinta-feira, 31 de agosto de 2023
quarta-feira, 23 de agosto de 2023
segunda-feira, 21 de agosto de 2023
sábado, 19 de agosto de 2023
domingo, 5 de março de 2023
OS CAVALEIROS DE ZODÍACO: OS HOMENS DE BRONZE, PRATA E OURO DE PLATÃO.
OS
CAVALEIROS DE ZODÍACO: OS HOMENS DE BRONZE, PRATA E OURO DE PLATÃO.
Acreúna – GO, 2023.
No
famoso desenho Os Cavaleiros do Zodíaco (Saint Seiya) de Masami Kurumada existem
cavaleiros que são designados a proteger os deuses do Olimpo. Um desses deuses
é Athena, incorporada no corpo de Saori Kido, que conta com uma classe desses
guerreiros classificados em armaduras de bronze, prata e ouro. Os cavaleiros
que vestem a armadura de ouro são os mais poderosos, depois os de prata e
finalmente os de bronze. Obviamente, existem outras classes que protegem outros
deuses, mas o enredo se desenrola com os cavaleiros que protegem Athena.
Os
mais poderosos cavaleiros, que a priori, são os que vestem a armadura de ouro,
conseguem elevar a sua força, o cosmo, a um nível muito alto. Esses cavaleiros,
por sua honra e virtudes, são os principais cavaleiros da deusa. No entanto, se
corrompem, deixando-se enganar por Ares, deus da guerra, mestre do santuário e
principal inimigo de Athenas.
Esse
problema chega a tal ponto que obriga os cavaleiros de bronze a entrarem em
ação e lutarem contra os cavaleiros áureos, também contra os de prata. Para enfrentá-los,
os guerreiros de bronze tiveram que mostrar o quanto eram valorosos, para só
assim elevar os seus cosmos e derrotar os oponentes. É isso, por exemplo, que
acontece com Seiya, o cavaleiro de pégaso, que por conta da sua honra,
lealdade, virtude da persistência consegue superar os seus oponentes.
Logo,
analisamos que a força do cavaleiro não está na sua armadura, mas em como o seu
treino árduo, seus destemores, sua honra conseguiam fazer deste ser, seja ele
de qualquer classe, superar qualquer adversário com a elevação do seu espírito.
Podemos
aqui identificar na história de Os Cavaleiros do Zodíaco um paralelo com a
filosofia de Platão. O filosofo grego classificava os indivíduos em bronze,
prata e ouro, remetendo às suas perspectivas na ação social. Os homens de
bronze eram aqueles que estavam inclinados, somente, ao trabalho braçal, nada
mais os importava. Os homens de prata eram aqueles que designavam as suas vidas
ao exército, a serem guerreiros; considerando que uma nação precisa de
guerreiros para proteger seus cidadãos. Aqueles que direcionavam as suas vidas
a uma vida de estudos, as coisas intelectuais, pretendiam ser sábios, equivalem
ao valor de ouro.
Perceba,
que um homem deve passar por todos esses valores, tendo dentro do seu espírito
uns mais e outros menos. Para Platão ainda existe um valor mais importante que
é o ser que passou por todas as classes, porém entende a intenção maior que é o
princípio da sabedoria. Este é o rei-filósofo, que seria o sujeito que apreende
todas as fases propostas e entende que a sabedoria deve regê-los para poder
criar uma sociedade próspera e justa. É importante entender que a finalidade não
é ser um governante, mas uma pessoa melhor.
Uma
filosofia clássica grega para uma história que remete as mitologias da Grécia
antiga. Platão está a nos dizer, qualquer indivíduo pode ter um valor de outro
equiparado ao do rei-filosofo. É onde se encontra a relação do conto dos
Cavaleiros do Zodíaco com a filosofia platônica. O melhor cavaleiro que, devido
aos seus treinos árduos e um caráter forte, consegue superar os seus inimigos;
o melhor homem é aquele que trabalha, defende os outros e aplica a sabedoria.
domingo, 19 de fevereiro de 2023
O FENÔMENO DA NATURALIZAÇÃO DA FOFOCA.
O FENÔMENO DA NATURALIZAÇÃO DA FOFOCA.
Acreúna – GO, 2023.
Carl Bloch; Na Taberna Romana.
Há um fenômeno atípico que
cresce na nossa sociedade, a qual é a naturalidade da fofoca. Atente-se que a
naturalidade não é somente por parte de quem faz a fofoca, mas, agora, também
por parte daqueles que são atacados por ela. Isso mesmo, falar da vida alheia
se tornou algo natural. Para os que recebem os comentários maldosos, o que vale
é estar se mostrando, ser observado, assim como é num espetáculo.
É difícil apontar um fator
específico, tudo indica que, as mídias, principalmente a “internet”, mudou e
muda a moral e a ética das pessoas. Basicamente é uma vontade de estar a ser
falado pelos outros, mesmo que esse falar seja para denegrir a pessoa de quem
se comenta. Mesmo assim, essa pessoa quer estar na boca do povo. É uma verdadeira
“sociedade do espetáculo”.
“Youtubers”, “influencers”, os não famosos do Big Brother Brasil (BBB) e todos os outros que ocorrem nos canais de entretenimento que expõe a vida das pessoas escancaradamente, mostram à nossa sociedade que, o que importa é ter fama, não importando a maneira. Isso está, por bem ou por mal, creio eu por mal, nos afetando.
Vamos ao primeiro princípio, que é sobre a pessoa que está fazendo a fofoca. Ela, basicamente, está reagindo aos seus instintos naturais, hormonais. Age mais pelos sentimentos do que pela razão. Fazer a fofoca dá prazer as pessoas, afinal, o intuito é ver a decadência do outro.
É bom lembrar de uma máxima na
filosofia, até mesmo na psicanálise: o ato estar a falar dos outros, fala mais
sobre si do que dos outros. Isso é a inveja, sim, inveja de não poder se
aventurar nas mesmas proporções da pessoa que se fala. Isso é outra vontade
humana, passar por aventuras. Na literatura está cheia dessa proposta, a ela
encontramos em Rei Arthur, Dom Quixote, Robin Hood, e muitos outros. É a
tentação de não estar num estado monótono, chamamos isso de tédio. Esses
sentimentos servem também para os que dão continuidade ao falatório alheio.
O segundo princípio, falamos
daquele que aceita, naturalmente, a fofoca sobre si. Isso pode ser positivo e
negativo; lembrando que, um não está desligado do outro. Pode ser positivo, já
que não deixou que o falatório alheio tomasse conta da sua vida social; não
deixou que o ponto de vista de outros, geralmente depreciativo, afetasse o seu
cotidiano. O lado negativo, é que essa naturalidade, propõe que somos uma
sociedade que não se preocupa mais com a moral, e isso pode afetar as nossas
ações éticas, ou seja, ações que temos que determinar racionalmente a melhor
maneira de agir.
Direcionando-nos ao ponto
negativo, a falta tanto da moral quanto da ética, parece, a princípio,
inocente, todavia se colocarmos essas virtudes dentro de um ambiente estatal ou
empresarial, vamos ver que isso pode acarretar em um estrago muito grande.
Imagine só, um governante, um empresário ou um servidor sem ética cuidando de
processos, compras e vendas, dinheiro e afins. Parece absurdo, no entanto,
nossa sociedade atual está repleta desses sujeitos. Infelizmente, isso é uma
realidade, é concreto. O estrago cujo sujeito que não reflete sobre suas ações faz
em uma sociedade é imensurável.
A naturalidade da fofoca
colabora para que o sujeito não consiga perceber a importância das virtudes,
isso vai se agravando com o tempo. Um sujeito sem virtude somente age pelas próprias
vontades, é um mimado que não consegue pensar além da esfera que está ao seu
redor, do seu pequeno mundo.
O fenômeno da naturalização da
fofoca, seja por aquele que faz, seja por aquele que se sente à vontade sendo abordado
por ela, agem pelo afeto. Não têm amor por si, mesmo que vociferem o oposto. Dá
mesma forma que não sentem compaixão pelos outros. Estão a buscar uma fama
imediata, da qual as mídias de massa, principalmente a “internet”, insistem em
fazer-nos acreditar que existe. Para ambos os lados, é um eterno se mostrar-se.
Isso é a “sociedade do espetáculo”.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023
A REBELDIA DE SÃO DINIZ: O CEFALÓFORO.
A
REBELDIA DE SÃO DINIZ: O CEFALÓFORO.
Martírio
de São Diniz (Le Martyre de Saint-Denis) - Leon Bonnat 1880.
Acreúna-GO, 2023.
O
mural o Martírio de São Diniz (Saint-Denis) retrata o auge do momento em que o
Santo, condenado à morte pela perseguição romana aos cristãos depois do século 250
d.C., toma a sua cabeça nas mães e a carrega por muitos metros, após ser
decapitado. Com o ato de mártir de Diniz, faz-se converter muitos fiéis à
religião católica, em Paris, França. Depois, no local do seu desfalecimento, é
construída a igreja de Saint-Denis.
Há
toda uma questão simbólica já presente na pintura e na história, mas o que
quero destacar aqui é a questão da persistência do espírito de São Diniz.
Depois de todo o feito em vida, de ter enfrentado a comunidade gaulesa e a política
romana, continua persistido mesmo após decapitado. Configurando-se, assim, um
ato de resistência.
A
verdade, é que, existe um simbolismo muito grande, impactante, no feito de
carregar a própria cabeça nos braços, isso é uma ação de rebeldia, não somente
contra um sistema social/político, mas, também, contra o próprio determinismo
da física. Com esse ato, o Santo vai de encontro, tanto com o sistema político,
quanto com o próprio limite do corpo. Todos esses acontecimentos têm um
catalisador, o qual é Deus.
Perceba
que chegamos a outra questão. Os grandes feitos, os que transformam de fato a
si e toda uma sociedade, na sua grande maioria são designados àqueles que estão
na presença de Deus e da santa Trindade. Os feitos da Bíblia são marcados por esses
motivos, os atos históricos heroicos também são marcados pelo mesmo princípio.
Isso se dá pelas motivações de acreditar em algo bom e maior. Maior do que a si
mesmo, maior do que a própria política humana.
Persistir
nas coisas difíceis e impossíveis, podem trazer bons frutos no futuro, mesmo
que o idealizador não esteja mais em vida. É alguém que consegue ver além das
aparências, planejar algo que vai além do seu ser. Esse homem tem como
finalidade o de criar uma sociedade melhor. Por isso, o povo percebendo o esforço
de São Diniz, tanto em vida, quanto na morte, se converte ao cristianismo. Tudo
isso foi o trabalho ingrato do Mártir durante toda a vida, e que, mesmo sendo
ingrato, não desistiu dele, o que fez refletir na sua morte.
Quantas
vezes deixamos abater pelas ofensas dos outros? Quantas vezes deixamos que as
ações do estado nos aflita? Quantas vezes deixamos que as ilusões da vida
imediatista nos enganem? Facilmente desanimamos. Mas, há de ser ao contrário,
deveríamos reerguer-nos como um mártir cefalóforo, carregar a cabeça decapitada
e organizar-nos, planejar, ver além, para assim, construir um lugar melhor.
Referências:
CRUZ
TERRA SANTA: https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-denis/136/102/
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